Música sertaneja católica conquista juventude

29/08/2013 11:40

Que o sertanejo universitário ou simplesmente a música sertaneja é a preferência nacional entre os jovens da atualidade ninguém mais tem dúvidas. A popularidade desse segmento da música é tão grande, que a segunda canção mais tocada nas rádios brasileiras, em 2012, foi um sertanejo universitário. Também no ano passado, a cantora Paula Fernandes ficou em segundo lugar em venda de CD’s, perdendo apenas para Roberto Carlos. Ela vendeu mais de 300 mil cópias de CD’s, mesmo com a pirataria e as novas formas de se adquirir músicas.

O ritmo, que agora apresenta uma levada mais pop e eletrônica, já é bem diferente do sertanejo raiz nos moldes de Tonico e Tinoco ou do sertanejo mais romântico da década de 1990, com as músicas de Leandro & Leonardo e Chitãozinho & Xororó. Em vez dos tradicionais acordeões e violões, sintetizadores e guitarras elétricas começaram a ser usadas com mais frequência nesse estilo de música. A linguagem voltada ao público mais jovem, se comparada com demais movimentos do gênero, talvez tenha sido um fator de bastante contribuição para o sucesso do segmento no Brasil.

Mas o que pouca gente sabe é que o ritmo já começa a dar sinais dentro da música católica e tem chamado a atenção da mídia secular.

Padre Alessandro Campos: “Deus me deu esse dom; vou usá-lo em benefício para anunciar Jesus Cristo para todas as pessoas que eu encontrar. Esse é o meu único objetivo na vida”

O sacerdote e cantor Alessandro Campos conta um pouco sua experiência. Ele é de Minas Gerais, veio de família pobre e da roça e a música sempre se fez presente em sua vida, desde cedo: “Lá em casa, em almoço de domingo, sempre tinha uma roda de viola”, brinca o padre cantor.

Ele afirma que a música sertaneja é a música do povo brasileiro. “Todos nós, de uma certa forma, temos um pezinho na roça; seja pelos pais, avós, bisavós. A raiz fala mais alto e não importa em que posição se esteja na vida. A minha opção foi evangelizar cantando o sertanejo, mas com letras que trazem mensagens de superação, família, fé, compromisso. Toca diretamente o coração”, explica.

No mesmo ritmo nasceu a dupla Rinaldo e Samuel, que formavam duplas, desde crianças, com outros amigos, mas descobriram após adultos um ponto em comum: “Não tínhamos a menor pretensão de formar uma dupla sertaneja católica, mas o Diácono Nelsinho Corrêa, missionário e cantor da comunidade Canção Nova, conhecendo a nossa história, nos fez o convite para cantarmos como uma dupla para o evento Canção Nova Sertaneja, em 2010. Ficamos um pouco assustados, pois somos instrumentistas, mas aceitamos o desafio”, detalha Rinaldo.

Um ano mais tarde, no mesmo evento, lançaram o primeiro CD, que apesar de conter o mesmo ritmo largamente tocado nas rádios, faz um contraponto com outros trabalhos já habituais no mercado fonográfico. “Percebemos que o sertanejo universitário, na maioria das vezes, fala de sensualidade, bebida, traição, e mesmo quando fala de amor, é um amor desordenado. Por isso, nossas letras falam da verdadeira liberdade, e da verdadeira felicidade que é o amor que vem de Deus”, explica Samuel.

Na avaliação do dupla, por ser um ritmo forte e contagiante, a juventude pode aproximar-se mais de Deus com a música sertaneja.

Padre Alessandro acrescenta: “A música supera barreiras e preconceitos. A música sertaneja ocupou o seu espaço no coração dos jovens, dos velhos e das crianças. Não tem mais idade e nem classe social, raça ou cor que diferencie a música sertaneja. Ela conseguiu reunir o povo quase que numa só voz.”

O padre também relata que não sentiu preconceito das pessoas. “A princípio o chapéu, a bota e a calça jeans trouxeram curiosos, mas a grande mensagem da minha evangelização é inspirada na carta do Beato Papa João Paulo II aos jovens: ‘Precisamos de santos que vivam no mundo, mas que não sejam mundanos’”

Apesar do sucesso na música, o padre não se considera um cantor: “Sou afinado, apenas isso, então considero que se Deus me deu esse dom vou usá-lo em benefício para anunciar Jesus Cristo para todas as pessoas que eu encontrar. Esse é o meu único objetivo na vida”, afirma.

Para a dupla sertaneja, ver as pessoas abrirem o coração para Deus, usando a música sertaneja católica como um instrumento, já compensa todo o trabalho e cumpre o objetivo, por isso, é gratificante o trabalho.

“A Igreja pede uma nova evangelização. Ir às ruas, alcançar a todos. O Evangelho é o mesmo. A palavra é a mesma. Eu apenas utilizo de uma nova pedagogia, que é a música sertaneja, para anunciar Jesus. Eu aproveito dessa linguagem do povo brasileiro para anunciar que sem Jesus não somos nada. Que a alegria do Senhor seja a nossa força”, finaliza padre Alessandro.

Fonte: A12